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Por que o diabético deve ter medo de ficar cego?

Quando o médico chama a atenção do diabético porque o diabete está descompensado,ele não está preocupado apenas com os níveis de glicose e insulina percorrendo a corrente sanguínea do paciente, mas principalmente com as consequências que o descontrole da doença traz a outras partes do corpo, começando pela visão.

O aumento do açúcar no sangue e a falta de controle da doença levam a alterações nos vasos sanguíneos da parte posterior do olho, chamada de retina, e da porção central, conhecida por mácula. Assim surgem a retinopatia diabética e o edema macular diabético que, se não forem tratados, podem levar à cegueira.

 

Embora sejam duas das principais complicações da doença, 54% dos diabéticos curitibanos desconhecem as condições, conforme pesquisa da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo, realizada em parceria com a farmacêutica Bayer. Divulgada no início de novembro, a pesquisa foi realizada com quatro mil brasileiros de oito capitais, incluindo Curitiba, sobre as percepções que os pacientes e não pacientes tinham sobre as complicações do diabete.

 

“Cerca de 63% dos brasileiros sabiam dos problemas, mas acham que eram complicações remotas ou muito distantes, enquanto que 25% ficaram devastados com a possibilidade de desenvolver essas complicações. Tivemos ainda 9% das pessoas que, vivendo em outro mundo talvez, não estavam preocupados“, disse Luiz Turatti, presidente atual da Sociedade Brasileira de Diabetes, durante a apresentação da pesquisa em São Paulo aos jornalistas.

 

Quem está em risco?

O lado positivo dessas complicações é que elas podem ser prevenidas – basta manter o controle da doença e ir regularmente ao médico oftalmologista. Com um exame de fundo de olho, o médico consegue identificar a elevação da retina, que indicaria o edema. Para isso, porém, há dois problemas no caminho.

 

O primeiro é que nem sempre o médico endocrinologista – geralmente quem primeiro trata o diabete do paciente – indica uma ida ao oftalmologista. De acordo com dados da pesquisa apresentada, 48% dos entrevistados diabéticos ou que tinham familiares diabéticos de Curitiba afirmaram que não receberam de seus endocrinologistas o pedido do exame de fundo de olho e 8% nunca foram a uma consulta com oftalmologista.

 

Como segundo problema, 56% das pessoas recebem o diagnóstico do diabete tardiamente – quando a doença está descompensada, o que eleva as chances de um problema ocular e de uma cegueira. Sem um tratamento, os diabéticos podem perder mais de duas linhas de visão em até dois anos.

 

“A prevalência dessas condições oculares em quem tem diabete tipo 1 se deve porque o controle do tipo 1 é mais difícil, porque precisa da insulina. Mas as doenças oculares dependem também do tempo que a pessoa passou com a doença descontrolada”, explica Sérgio Pimentel, chefe do serviço de retina do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC/FMUSP).

 

6% é a taxa de prevalência do edema macular diabético em geral, enquanto que pacientes com mais de 10 anos de doença tem uma prevalência de 14% a 24%. O edema independe de idade, mas varia conforme o tempo de descompensação da doença.

 

Edema macular diabético: a elevação da glicemia no sangue altera os vasos sanguíneos, inclusive dos olhos, e gera um vazamento de fluído dentro da mácula. O vazamento gera manchas que atrapalham a nitidezfoco, distorcem as imagens, levam a fotofobia,redução do contraste e visão das cores, entre outros sintomas.

 

Formas de tratar

Diagnosticado o edema macular diabético, há dois tratamentos que podem ser usados de forma complementar, que é o laser e as injeções de medicamentos dentro do olho, ou intravítrea. Para casos mais graves, existe a indicação de cirurgia.

 

No caso do laser, o paciente ganha um pouco de visão e pode até estabilizar a perda que teve até o momento. Com as injeções de medicamentos corticoides e antiangiogênicos, há a chance de ganhar mais visão e até reverter a perda visual do paciente.